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Vinícius de Moraes e Itaipava

A vida e a obra de um dos mais celebrados nomes da arte brasileira no século passado, Vinicius de Moraes, se confundem com a própria história de Petrópolis. Aqui na nossa cidade, em fases e momentos distintos, o poetinha passou boa parte de sua vida. Nestas terras ele buscou lazer, tranquilidade e, principalmente, inspiração para, ao lado de seus também talentosos amigos, produzir algumas das mais belas canções e poemas que ainda hoje contagiam não só aqueles que viveram em sua época, mas também os mais jovens que ainda conhecem o legado artístico deixado por ele, reconhecido internacionalmente.

Vinícius de Moraes foi diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor. Poeta essencialmente lírico, também conhecido como "poetinha", apelido que lhe teria atribuído Tom Jobim, notabilizou-se pelos seus sonetos. Boêmio inveterado, fumante e apreciador do uísque, era também conhecido por ser um grande conquistador. Vinícius casou-se por nove vezes ao longo de sua vida e suas esposas foram Beatriz Azevedo de Melo (Tati de Moraes), Regina Pederneiras, Lila Bôscoli, Maria Lúcia Proença, Nelita de Abreu, Cristina Gurjão, Gesse Gessy, Marta Rodrigues Santamaria (a Martita) e Gilda de Queirós Mattoso. Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. No campo musical, o poetinha teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque, Carlos Lyra e Francis Hime.

Vinícius em Petrópolis
Petrópolis era um verdadeiro refúgio para Vinícius de Moraes, que possuía uma casa no início da Avenida Barão do Rio Branco, lugar onde buscava inspiração para, ao lado dos amigos e da sua companheira na época, Maria Lúcia Proença, produzir algumas de suas principais canções e poemas. Aqui surgiram, por exemplo, Pobre menina rica, Primavera e Apelo, em parceria com Carlos Lyra. Outros grandes nomes da MPB também frequentavam a residência do casal na cidade, como Baden Powell, Edu Lobo, Dorival Caymmi, Wanda Sá, Marcos Valle e Francis Hime, com quem o poeta gravou Sem mais adeus.

A casa era cercada de muito verde, e segundo Vinicius, era um lugar maravilhoso e inspirador, longe do ruído mundano que na época já assolava a capital fluminense. Ali ele reunia forças para compor suas mais belas obras. A casa pertencia, na verdade, a Lucinha Proença, sua quarta mulher, com quem se casou em 1957, após um romance proibido. O relacionamento durou seis anos, e Lucinha foi a musa inspiradora do poema Teu nome.

São muitas as histórias de Vinicius na cidade. Uma delas é contada por Maria Lucia Rangel, no site que reúne diversas poemas e canções de Vinicius, www.viniciusdemoraes.com.br, sobre a música Tomara. Era uma madrugada em Petrópolis, na casa de Cícero Leuenroth, pai de Olívia Hime, onde passamos fins de semana inesquecíveis. Vinicius às vezes chegava de táxi, avisando que dormiria na "vaga". Se alguém acordava mais cedo ele corria para a cama desocupada e tirava um cochilo. Naquela madrugada de 1971 fui dormir e deixei o poeta na sala com Toquinho. Pelas quatro da manhã acordei com os dois entrando quarto adentro e me entregando um copo de uísque. Os dois sentaram-se na minha cama e eufóricos, contaram ter acabado de compor mais uma música. Toquinho deu os primeiros acordes e a dupla começou a cantar Tomara. Foi uma alegria. A música foi repetida inúmeras vezes e hoje, lembrando aquele encontro, não tenho dúvidas de que "a coisa mais divina que há no mundo é viver cada segundo como nunca mais".

Diversas vezes, hospedou-se no Hotel Margaridas, o qual acabou homenageando com um poema.

Vi-vendo Vinícius de Moraes
Em 1994, no Gabinete de Arte Galpão, de propriedade de Celina Prates, foi organizada uma homenagem ao poetinha em parceria com sua filha Luciana de Moraes.

O nome da exposição, “Vi vendo Vinícius”, foi tirado do livro editado em 1975 por seu filho, Pedro de Moraes, com prefácio de Helio Pelegrino, que traz fotos em preto e branco de sua peregrinação pela terra brasileira.

A mostra em Itaipava foi realizada entre os dias 22 e 30 de outubro de 1994, e apresentava vivências do artista em seus melhores momentos: mostra de fotografias inéditas; apresentação do vídeo Meu Tempo é Quando, da Vídeo Ban, de Antonio Carlos Fontoura; show com músicas do artista, na interpretação do conjunto Khor da Voz; além de exposição de livros e CDs sobre a sua obra. O evento na Serra foi realizado com o apoio de empresas cariocas e locais, como a VM Produções, Khor da Voz, Serraria Boavista, MV8 Studio, Toca do Vinícius, Maria Maria, Contábil Almeida e Ribeiro, Chakra, Saison, Mangará, Cerveja Itaipava, Buffet Tarrafa´s e Suzana Botafogo.

O evento foi um sucesso na época. Conseguimos a adesão do empresariado local, e foi uma belíssima homenagem a Vinicius de Moraes.

Mais de 250 pessoas assinaram o livro de visitas da exposição, mas a estimativa de público visitante foi bem maior. A mostra teve ampla cobertura da mídia local e regional, com matérias publicadas nos jornais: Jornal do Brasil, Tribuna de Petrópolis, através de matéria de José Mariano d´Almeida e Silva, Diário de Petrópolis, Culturarte, entre outros. “A mostra foi um sucesso, numa época em que Itaipava ainda era considerada uma promessa, e não uma realidade como é hoje”, relembra Celina Prates, organizadora do evento.


Luciano do Carmo