App

Baixe grátis o app na Google Play ou na Apple Store


Warning: include(menu.php): failed to open stream: No such file or directory in /home/guiadeitaipavaco/public_html/detalhe_materia.php on line 102

Warning: include(menu.php): failed to open stream: No such file or directory in /home/guiadeitaipavaco/public_html/detalhe_materia.php on line 102

Warning: include(): Failed opening 'menu.php' for inclusion (include_path='.:/usr/lib/php:/usr/local/lib/php') in /home/guiadeitaipavaco/public_html/detalhe_materia.php on line 102



Fórmula da construção: fé + trabalho = edificação e resultados

Difícil escrever sobre uma história já contada por tantos estudiosos com tamanha competência. Perdida em meio a mil fontes bibliográficas, muita informação e pouco espaço, opto pelo caminho do relato pessoal. Me impressiono com a fé de um homem que soube transformá-la em patrimônio religioso, cultural e estrutural de nossa região. Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra (1906-1999), 1º Bispo de Petrópolis e fundador do Seminário Diocesano N. S. do Amor Divino soube edificar a fé: em Deus e no trabalho. Fé que, sempre ouvi falar, é capaz de mover montanhas e, neste caso especificamente, foi capaz de mobilizar pessoas, não se deixando abater sequer pela economia de um Brasil que, já nos anos 40 dava os primeiros sinais de instabilidade, transformando em realidade um sonho à pedido da Santa Sé: a construção do Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino, em Corrêas.

Devoto da santa homenageada, Dom Manoel voltou ao Brasil vindo de Roma incumbido, dentre outras missões, de uma especialmente difícil: a de fundar o Seminário.

Recursos escassos, para não dizer inexistentes: sem local, material de construção, mão-de-obra... em síntese: Dom Manoel deu-se conta de que havia se comprometido com algo que partia literalmente do zero. Sua luz no fim do túnel era a fé que, ao contrário de faltar-lhe, lhe era farta e contagiante. Em oração, ajoelhado aos pés da imagem de sua Nossa Senhora do Amor Divino, pediu-lhe a graça de uma pronta solução que, milagrosamente, não tardaria a cair-lhe nas mãos.

Tão confiante em seu pedido estava, que organizou na Diocese a OVS (Obra das Vocações Sacerdotais), convocando a todos os fiéis que rezassem e trabalhassem em prol de conseguir o necessário à construção do Seminário, indo além: escreveu carta aberta comunicando que abriria em março de 1949 as portas da prometida obra. Vitorioso, em pouquíssimo tempo, a Embaixatriz Lavínia Luiz Guimarães doaria chácara em Corrêas, onde o prédio seria construído. Não perdeu tempo: arregaçou mangas e edificou a fé.

Me pego concentrada na questão da força da fé. Sopra em meu ouvidos que me faltam algumas peças para que eu escreva a matéria com a dignidade que a instituição merece. As inúmeras obras disponíveis na livraria do Seminário contam a trajetória factual da construção. Falta depoimento de quem não participou de sua trajetória. Me coloco à serviço do “cargo”. Histórias lidas e contadas não me bastam. Preciso ir além: explicações, esclarecimentos sobre força e fé. Decido usar a matéria como instrumento e minha vivência como veículo.

Em minha primeira visita ao Seminário, havia feito algumas entrevistas, observado a construção, comprado um livro sobre sua história. Nesta segunda, interfono explicando que vim “fechar” a matéria. O imenso portão de ferro se abre e subo a ladeira que leva à sede, construída em estilo colonial, fachada cor-de-rosa.

Encontro um rapaz e pergunto por onde entrar. “Basta tocar a campainha”. No saguão principal, circundado por vários tripés com viçosas samambaias, me deparo com uma imensa imagem de Cristo. Explico que quero “sentir” o lugar. Com sorriso sereno de quem está em paz, o moço diz que eu fique à vontade. Escolho começar meu tour pela Capela. Atravesso o pátio interno à céu aberto, onde ouço o repousante som da água que jorra da pequena fonte, em meio a um igualmente pequeno jardim.

Entro na Capela. A penumbra do ambiente guarda uma incrível luminosidade natural, calma e acolhedora. As paredes pintadas de azul me envolvem e o silêncio me abraça. Pela nave, caminho para o altar, em direção à imagem de N. S. do Amor Divino. Apesar de relativamente pequena, emana grande força. Penso: “É uma é guerreira”. Encaro a imagem que transmite seriedade mesclada à extrema doçura.

Olho à minha volta. Algo circular, a Capela dispõe no sentido anti-horário, quatorze imagens da via crucis em relevo de madeira policromada. Bíblias, terços, anotações manuscritas em latim compõem o cenário, dando-lhe vida.

Coloridíssimos, dois imensos vitrais laterais chamam a atenção. À esquerda, Jesus em meio a um trigal, aponta a direção a um jovem, observado por uma atenta senhora. Do lado oposto, Jesus conversa com oito jovens interessados, observados por dois padres e outros dois rapazes que me parecem camponeses. Na parte inferior, os dizeres: “Venite... Ego Elegi vos”. Me dou conta de que a imagem simboliza perfeitamente a proposta do Seminário: encaminhar jovens através da religiosidade e do conhecimento, oferecendo oportunidade a quem, em muitos casos, se não estivesse ali, não teria.

O trabalho iniciado por D. Manoel até a sua morte, se mantém hoje pelas mãos do Padre José Maria Pereira, diretor espiritual do Seminário e figura fundamental neste trabalho. Sua simpatia e humor colocam por terra a imagem de sisudez que muitos de nós têm de um padre. Para manter-se, a instituição conta com doações de paróquias, de seguidores anônimos e do Serra Clube, que organiza eventos para arrecadação de verba. “Quem ajuda a formar um padre está ajudando a salvar muitas almas”, reforça Pe. José Maria. Na parte da manhã, cerca de 35 alunos externos em fase de ensino médio estudam ali, pagando mensalidade que pode-se chamar de simbólica, após passarem por um processo de seleção.

De volta ao pátio central, observo várias portas. Dentre muitas, um grande e limpíssimo refeitório de onde se vê a ampla cozinha; na parede oposta, onze janelas revelam quadros de uma maravilhosa natureza, nada morta; uma livraria, rica em publicações religiosas e históricas e uma sala de aula. Nesta última, um retrato pintado à óleo de D. Manoel. Ando de um lado a outro e seu olhar, extremamente profundo, acompanha meus passos.Retorno ao saguão principal e me despeço dizendo que volto em breve.

Já em frente ao computador, a primeira coisa que faço é acessar o site www.seminario.com.br, onde descubro mais sobre a trajetória de D. Manoel e sua obra maior. Imperdível visita.

Ao terminar, me vem à cabeça que Deus, provavelmente, dentre tudo o que criou não esqueceu-se do ateu. Talvez com o sábio objetivo de reforçar a premência da fé.


Patrícia Puretz