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A Vila de Secretário

José Ferreira da Fonte, secretário do Governador do Rio de Janeiro, obteve a 7 de maio de 1703 as primeiras terras (sesmarias) não concedidas a Garcia Rodrigues Paes, filho do Bandeirante Fernão Dias Paes, o “Caçador de Esmeraldas”,onde formou-se o Distrito de Secretário. A fazenda que ali surgiu no “Alto do Pegado”, do nome de seu filho e sucessor, Antonio Pegado de Carvalho, fica no divisor de águas entre o rio Piabanha em Pedro do Rio e a atual Vila de Secretário, sobre o ribeirão desse nome, afluente do rio Fagundes.

As futuras vilas de Pedro do Rio e Secretário foram ligadas por caminho quando por aí se desviou o que vinha da baixada pela falda da Maria Comprida. Consta que a fazenda de Antônio Pegado de Carvalho ficava no alto de um morro, o que contribuiu para que aquela região fosse batizada pelo povo com a denominação de “Alto do Pegado” a qual persiste até hoje.

Em 28 de agosto de 1734 o secretário obteve outra sesmaria de légua em quadra contígua à primeira, no vale do ribeirão, concedida por Gomes Freire de Andrade, recém nomeado Governador do Rio. Essa zona onde se abriu a grande fazenda estava ligada ao fundo da Baía de Guanabara desde 1724 pelo caminho do Proença e a Paraíba do Sul pelo menos desde 1721.

Do filho do secretário as terras passaram a certo Manoel da Costa Guimarães e deste ao padre português Antônio Leal Penafiel, muito tempo radicado no Rio de Janeiro e que, doente de problemas pulmonares, procurou na propriedade os bons ares da Serra. Ali viveu até o ano 1824. A um dos sítios deu o nome de Pampulha, homenagem ao seminário em que estudara em Portugal, que assim se chamava. Na subida do caminho para Sebollas, o pequeno Arraial da Pampulha é citado em várias crônicas de viajantes estrangeiros, que elogiam a salubridade do clima e beleza da paisagem. Essa região também era terra do secretário. Ainda eram parte da grande sesmaria do século XVIII as fazendas de São José, do coronel Antonio José Teixeira, e Rio-Pequeno, Cachoeira e Guararemas, datada de 1767, do capitão Ernesto José da Silva Leal, esta última comprada e ampliada por meu avô Orozimbo Nonato no final dos anos 50. Com o correr do tempo as sesmarias foram fragmentando-se em fazendas, em conseqüência da morte de seus proprietários. Assim, na carta topográfica da capitania do Rio de Janeiro, datada de 1767, já encontramos assinaladas três importantes Fazendas, Pampulha, Rocinha e Boa Vista, às quais não tardaram a se juntar outras.

Ao longo da variante do Caminho Novo, as tropas de muares asseguravam e mantinham a circulação de produtos e mercadorias, contribuindo para que surgissem inúmeros pousos e ranchos, destinados ao abrigo de tropeiros, cargas e animais. Nesta mesma época, Joaquim José da Silva Xavier, o “Tira-dentes” percorria este caminho como “condutor de tropas”. Assim, ele era esperado pelas aldeolas, quer pelos produtores que precisassem remeter seus produtos à venda no Rio de Janeiro, quer pelos doentes que necessitassem de seus serviços, e até por namorados e amantes que por seu intermédio mandavam recados e bilhetes. De tal forma se aperfeiçoou em odontologia que enquanto descia para o Rio transportando as manufaturas de sua terra (montassilhas, rédeas, peitorais, colchas de lã e tapetes) levando de volta para Minas sal e quinquilharias, ia ficando conhecido como o Tiradentes, pois tirava os dentes com a mais sutil ligeireza e ornava a boca de seus clientes com novos dentes feitos por ele mesmo em osso e que pareciam até naturais. Em 1781 Tiradentes foi designado o comandante da Patrulha do Caminho Novo ou “Ronda do Mato”, mas aí já atuando principalmente na Serra da Mantiqueira. Porém nunca deixou de freqüentar nossa região, pois tinha feito inúmeras amizades durante suas viagens pelo Caminho Novo, especialmente no Arraial de Santana de Sebollas, hoje Inconfidência. Lá tinham grande acolhimento suas idéias de libertação e era onde morava seu grande amor, a fazendeira Dona Ana Mariana Barbosa.

A tradicional Secretário se localiza na última fração do município de Petrópolis, apertada entre montanhas, tendo se expandido e prosperado do Alto do Pegado até Fagundes. No fim do século XIX a fazenda do Secretário já pertencia ao Dr. José de Barros Franco Junior, antigo proprietário da fazenda Bom Jesus de Matozinhos, renomado político, um dos fundadores do Partido Republicano e já grande fazendeiro no 4º distrito, casado com Dona Ana Ferraz Caldas, neta do Visconde de São Bernardo.

O Dr. José de Barros Franco Junior foi um dos pioneiros da plantação científica do café no Brasil, de acordo com os novos métodos que então começavam a serem postos em prática. Graças a sua iniciativa foram construídas duas pontes de ferro, uma em Pedro do Rio, outra em Fagundes, bem como a escola de Secretário, cujo terreno foi por ele doado, sendo sua primeira diretora e professora a Sra. Isabel Imbeloni Braga, dando aulas da 1° à 4° séries e ainda alfabetizando adultos a noite.

Também figura ilustre dos primórdios de Secretário, podemos citar o Major Theóphilo de Carvalho, fazendeiro na Rocinha, como pessoa de espírito culto e comunicativo que teve largo conhecimento das pessoas e fatos da localidade. Esta Fazenda num determinado tempo chamou-se “Fagundes Novo” sendo hoje em dia conhecida como Fazenda Nossa Senhora de Fátima, pertencendo a família Cybrão de longa data.

Destaca-se também o médico Dr. José Gabriel de Almeida Paim, grande amigo do Dr. José de Barros Franco Junior, que dedicou-se à profissão atendendo aos enfermos pobres sem nada receber em troca,a não ser a gratidão daqueles que curava.

Cito ainda Dr. Celso e seu pai Dr. Fernando, ambos neto e filho do Dr. José de Barros Franco Junior, doadores dos terrenos para a construção do Posto Médico de Secretário, e ainda para a construção do orfanato do professor Nelson, o qual foi desativado após a sua morte.Os dois foram os pioneiros em loteamento, assim dando a oportunidade de formar-se a atual Secretário, inclusive providenciando para que houvesse naquela ocasião água encanada,trazida diretamente do alto da estrada do Sertão. Nos idos anos de 1950 já existia um cinema na Praça da Feira, ponto central do vilarejo.O nome Praça da Feira vem da idéia do Dr. Celso e do Dr. Fernando de criarem um ponto de encontro dos agricultores da região para que expusessem e vendessem suas mercadorias.

Já Dr. Paulo de Barros Franco, irmão de Dr. Fernando, doou a Capela Nossa Senhora da Lapa, assim como a fonte de água para seu abastecimento, à Mitra Diocesana de Petrópolis, atualmente denominada Igreja Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Desta maneira a comunidade católica de Secretário ganhou sua Igreja. Tempos após, Dr. Paulo Barros Franco e sua esposa, Dona Geny doaram mais terreno ao redor da Igreja para assim abrigar maior público na época de festejos e quermesses. No ano de 2004 a Igreja foi reformada com a chegada do padre Antônio de Pádua Cavalcanti, sendo o responsável pela obra o administrador da Igreja, Sr. Samuel Ribeiro da Silva.

Ainda vou citar nomes de famílias, muitas já na 4º geração, estabelecidas em Secretário e que contribuíram cada qual a sua maneira e com suas profissões pelo povoamento e progresso desta parcela do 4º Distrito: os Lima, os Simas, os Valle, os Carneiro, os Firmino, os Maciel, os Leal, os Ribeiro da Silva. Três famílias foram trazidas diretamente da Itália para trabalharem nos cafezais do Dr. José de Barros Franco Junior: os Borsatto, os Marchiori e os Marchesini.

Num passado mais recente não posso deixar de mencionar os fazendeiros Dr. José Neves e Dr. Mário Mendonça, ambos já falecidos, grandes entusiastas da região, com descendentes ainda proprietários e freqüentadores do local.

O médico Dr. Rui da Costa Leite, alma boníssima, respeitado e admirado, ajudava a todos os que vinham a sua porta necessitando de seus cuidados. Comparecia todos os finais de semana. Nas sextas feiras, às vezes tarde da noite, seu carro passava por nosso portão e meu avô comentava:o Rui já está chegando com a família.

Agradeço até hoje o feliz convite que o Sr. Edmundo da Costa Leite e o Dr. Fernando Barros Franco fizeram a meus avós Orozimbo Nonato e Antonieta, para que conhecessem o encanto das terras de Secretário.Tanto apreciaram que ali construíram propriedade em terrenos comprados do Dr. Fernando,na várzea do Manuel Joaquim,no ano de 1952, na época um vasto milharal com apenas cinco casas construídas. Lembro de meu avô sentado em nosso alpendre, comentando que das três casas que possuía aquela era a mais querida. Agradeço a esta região mágica, habitada por homens de bem, pelas férias inesquecíveis que me proporcionou, pelos profundos laços de amizade que ali construí e por ser até hoje a minha ilha de paz.


Bia Nonato