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A Vila de Pedro do Rio

O nome que deu origem à Vila de Pedro do Rio tem uma história, no mínimo, inusitada. As terras que hoje pertecem ao quarto distrito de Petrópolis eram, no início do século XVIII, caminho que levava os portugueses às minas de ouro de Minas Gerais. A hoje Pedro do Rio era, na ocasião, um ponto de encontro de tropeiros, que ali paravam para negociar cachaça, pólvora, fumo e rapadura, e para alimentar seus cavalos. Como existiam dois Pedros que negociavam com os tropeiros, para diferenciá-los, deram a um o nome de "Pedro do Alto", tendo em vista que aquele morava no Alto do Pegado; e ao outro o nome de "Pedro do Rio", pois este morava nas margens do Rio Piabanha.

Mas por que Pedro do Rio, e não Pedro do Alto. Conta a história local (não se sabe se verídica ou não) de que havia certa preferência por partes dos viajantes pelos produtos oferecidos pelo Pedro de baixo, ou seja, o do Rio. Antes disso, em 1767, a “Carta Topográfica da Capitania do Rio de Janeiro” já citava o Sertão do Piabanha como sendo a região de terras que hoje compreende as regiões de Sumidouro, Pedro do Rio e Barra Mansa.

O crescimento comercial da região começaria a se implementar a partir de 1858, com a construção, pela Companhia União e Indústria de Mariano Procópio Ferreira Lage, da estrada mais antiga do país: a União e Indústria. Na região de Pedro do Rio foi criada uma estação dotada de vários armazéns para o depósito de gêneros, fazendo com que ali surgissem também hotéis e estrebarias (oficinas para o reparo das carroças e diligências). No livro “Brasil Pitoresco”, de Charles Ribeyrolles, publicado em 1861, Pedro do Rio é citado como “um pequeno burgo encurralado, que acaba de nascer, em torno da estação que ali estabeleceu a empresa União e Indústria, um dos pontos favorecidos da artéria que surgia, onde já se avolumam as tropas e os viajantes”.

O trecho da estrada, construído sob a direção do engenheiro Antonio de Oliveira Bulhões, foi entregue ao tráfego público em 18 de março de 1858, tendo a inauguração do mesmo contado com a ilustre presença do Imperador D. Pedro II e da Imperatriz D. Teresa. Dois anos mais tarde, seria inaugurado mais um trecho, até o hoje distrito da Posse.

Mas esse crescimento se daria, de fato, a partir de 1886, com a construção da linha férrea entre Petrópolis e Pedro do Rio, a 3a seção da Estrada de Ferro Príncipe do Grão Pará, obra concluída em 10 de fevereiro daquele ano, passando em 1890 ao controle da Leopoldina Railway. A estação de Pedro do Rio foi fechada em 5 de novembro de 1964, data em que a linha foi suprimida.

Em 1892, um marco histórico se daria para a história do lugar: a sua transformação em distrito. Inicialmente, a cidade de Petrópolis se dividia em dois distritos: o 1° distrito, partindo do marco da Fazenda de Petrópolis, na Serra da Estrela, até a fazenda do Corrêa; o 2° distrito, da fazenda do Corrêa à barreira do Taquaril. Em 1892, por força do Decreto nº 1, de 8 de maio, do mesmo ano, procedeu-se a nova divisão, estabelecendo seis distritos e incluindo entre eles o de Areal. Pedro do Rio, nomeado 4º distrito, compreendia "as terras limitadas pelas serras da Maria Comprida, Marcos da Costa e Malta, rio Fagundes, desde a sua nascente até encontrar os morros do Cambota e Cedro, pela vertente Sul, rio Piabanha, rio Taquaril, serra de Teresópolis, no ponto em que termina a linha de prolongamento do limite da fazenda do Sumidouro". Muito pouco durou esta divisão, já que a 3 de junho de 1892, pelo Decreto 1-A, o anterior foi retificado, voltando Areal a fazer parte do município de Paraíba do Sul. Petrópolis foi dividida em cinco distritos: Cidade; Cascatinha; Itaipava; Pedro do Rio e São José do Rio Preto. Pedro do Rio passaria a ser o quarto distrito de Petrópolis.

Em 1894, figuras representativas da localidade se uniriam para iniciar a construção da Capela de São Pedro, padroeiro do então povoado. Foi instituída uma comissão para organizar os trabalhos, formada por Antonio de Souza Lessa, Custódio José da Rocha e José Joaquim Pinto. Em 7 de abril de 1895, o presidente da Comissão, apresentou, para aprovação, a planta da Capela e o orçamento da obra, sendo a mesma iniciada num terreno doado pelo Dr. José Basílio Magno de Carvalho.

A capela foi ampliada em 1903, quando foi realizada a primeira missa campal celebrada em Pedro do Rio, no dia de 20 de setembro do mesmo ano, pelo reverendo Padre Teófilo da Rocha, sendo o altar mor oferecido pelo fazendeiro Sr. Antonio José Alves, que passou a embelezar a igreja na época. Mas a capela durou apenas 56 anos, visto que em 1959 ela foi demolida para construção da atual Matriz de São Pedro. O primeiro monsenhor da igreja foi o Sr. José Franco da Silva. Em 1961 assumiu o monsenhor João de Deus Rodrigues, membro de uma das mais tradicionais famílias de Pedro do Rio, ficando a frente da mesma até 2002, data da sua morte. Atualmente, o monsenhor da igreja é o Sr. Antonio de Pádua.

Em 1905 a luz elétrica chegava a Pedro do Rio. Isso, graças aos esforços de representantes políticos do município, como José de Barros Franco Júnior, Cel. Antonio José Teixeira e Dr. Luís de Oliveira, junto ao chefe do executivo Dr. Arthur Alves Barbosa. Consideráveis esforços neste sentido, é justo que se reconheça, foram desenvolvidos pelo Dr. Nilo Peçanha, quer junto à Companhia Brasileira de Energia Elétrica, quer junto ao Banco Construtor do Brasil, fato que tornou possível uma velha aspiração do povo da localidade.

A criação da “Companhia Suburbana de Melhoramentos de Petrópolis” deu, no início do século passado, grande impulso ao crescimento pedrorriense, com a criação de uma linha de ônibus que ligava o lugar a Petrópolis. Mais tarde, seria criada uma empresa, com vários carros marca "Internacional", com pneumáticos e câmaras de ar, proporcionando aos habitantes dos distritos um meio de condução mais garantido entre Barra Mansa e Petrópolis. Octávio Augusto da Costa, seu terceiro proprietário, não poupou esforços para atender às exigências da clientela, transformando a empresa em "Autobus Ltda", trafegando diariamente, com cerca de 12 ônibus entre Pedro do Rio e Petrópolis. Em 16 de junho de 1944 as cotas da empresa foram adquiridas por Domingos José Pereira e Orestes B. Pereira. Na década de 60, a Autobus foi transformada em sociedade anônima.

Em 1915, foi fundada a Sociedade Beneficente União Musical de Pedro do Rio, que passou a contar com doações mensais de seus associados, destinadas a socorrer os mesmos em casos de efermidades. Era, na verdade, um espécie de seguro social da época, que mantinha também uma banda musical (então denominada Banda União Musical de Pedro do Rio), com estatuto próprio.

Em 29 de setembro de 1933 foi fundada a Sociedade Sportiva de Pedro do Rio, sendo sócios fundadores Octavio Augusto da Costa, Alberto Nascimento Taboada, Vitorino Gonçalves Leonardo, Manoel Augusto da Costa, Berilho Dias, Antonio Gomes, Antonio Nascimento Taboada, Nelson Machado, Gilberto de Carvalho e José de Oliveira Costa. No ano seguinte ao de sua fundação já possuía 213 associados. A referida sociedade reorganizou os esportes em Pedro do Rio, realizando no seu primeiro ano de existência vinte e quatro partidas oficiais de futebol. A sociedade tinha como madrinha Hilda Zanatta e como um de seus maiores colaboradores o Cel. Antonio José Teixeira.

A educação começaria a se desenhar na localidade, segundo registros, a partir de 1885, com a criação de uma Escola Pública Feminina, dirigida pela professora Augusta dos Santos. Em 1900 seria criada uma Escola Mista, com a regência de Angélica Maria Guimarães da Silva. Em 1938, com a evolução do ensino primário, Pedro do Rio já possuia escolas municipais, estaduais, particulares e subvecionadas.

Pedro do Rio contou também com seu próprio jornal. A Folha, dirigido por J. Saldanha Britto e Jorge Namé, criado em 29 de junho de 1945, cobria a vida cultural e os acontecimentos de maior relevância da Vila de Pedro do Rio. O lugar foi também o preferido por pessoas que merecem destaque no cenário político, social e cultural de nosso país. Vale destacar, entre outros, a ceramista Genevieve Marie Louise Vavin, mais conhecida na região como Genoveva. Nascida em 19 de junho de 1913, em Paris, Genô, como era também conhecida, chegou a Pedro do Rio no início dos anos 50, a convite do ceramista Gonot e de sua esposa, proprietários da Cerâmica Itaipava. Figura ímpar, talentosíssima, Genô marcou sua presença na região, inclusive após a morte de Gonot e o fechamento da Cerâmica Itaipava. Em Pedro do Rio, local por ela escolhido para viver, continuou seu trabalho como pintora e ceramista, tendo formado muitos alunos e enriquecido a cultura local. Extremamente católica, dedicou-se também à paróquia de São Pedro, onde tocava órgão nas missas, ensinava catequese, ajudando a igreja local no que fosse necessário.


Luciano do Carmo