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Saint-Exupéry esteve aqui

A Serra de Petrópolis ficou famosa por ter abrigado pessoas ilustres, que fizeram e ainda fazem parte da história. Entre elas está Antoine Jean Baptiste Marie Roger Foscolombe de Saint-Exupéry, ou simplesmente Saint-Exupéry, autor do best-seller O Pequeno Príncipe, que vendeu mais de 8 milhões de exemplares em 151 idiomas. Uma casa situada na Estrada do Ribeirão, num belíssimo vale à margem esquerda da Rodovia BR-040 (sentido Juiz de Fora), serviu de abrigo e inspiração para este que foi um dos maiores ícones da literatura mundial.

O aviador e escritor Saint-Exupéry nasceu em Lyon, na França, em 1900. Na década de 30, foi piloto do Correio Aéreo Francês, fazendo parte da geração de pilotos pioneiros encarregados de abrigar rotas para a América do Sul e para as colônias francesas na África, viagens longas, em aviões precários e perigosos. Atuou intensamente na Segunda Guerra Mundial e soube transportar para seus livros, de maneira bem profunda, as experiências que viveu em suas missões heróicas.

Em 1930 ainda não havia alcançado o status de escritor consagrado, mas já era famoso por sua audácia e por suas aventuras como aviador. Segundo a revista Claudia, de março de 2006, em uma de suas viagens passando em Buenos Aires, conheceu Consuelo: “salvadorenha, filha de um rico plantador de café, olhos negros, um rosto de Madonna e um temperamento explosivo, a talentosa pintora e escultora”. Foi amor à primeira vista. Casaram-se em Nice, em 1931, e Consuelo teve uma importância decisiva em sua obra. Foi ela quem o incentivou a escrever Vôo Noturno, livro que lhe rendeu o “Femina” de 1931, maior prêmio literário da França.

Augusto de La Roque, também aviador e proprietário da Fazenda São José do Magé e Ribeirão, em Itaipava, recebia alguns amigos pilotos em suas terras durante as folgas, como Marcel Reine e Jean Mermoz, às dos ases franceses. Marcel Reine comprou a propriedade dos herdeiros de La Roque e, para matar a saudade de sua terra natal, passou a chamar a Fazenda São José do Magé e Ribeirão de “La Grande Vallée”, fazendo assim uma justa homenagem à beleza do local, que se situava entre dois magníficos vales protegidos por um círculo de elevadas montanhas. Com altitude média, um clima invariavelmente seco e a pequena distância da capital, Rio de Janeiro , La Grande Vallée tornou-se o lugar de descanso e férias de Marcel Reine e de seus amigos pilotos, entre eles, Antoine de Saint-Exupéry.

Conta a história que foi nessa casa que ele teria escrito e ilustrado parte de sua maior obra, "O Pequeno Príncipe” e que, ao desenhar a jiboia que engoliu o elefante, Saint-Exupéry teria se inspirado na Pedra do Elefante, no Taquaril, paisagem que é vista da entrada do Ribeirão e por onde o escritor passava sempre que ia a La Grande Vallée.

Anos mais tarde, outro renomado escritor francês, o refugiado Georges Bernanos, recém-chegado da Europa, também buscou a traquilidade e o clima de La Grande Vallée para continuar a fustigar com a pena os erros do pensamento materialista da época. Aos domingos, na casa de Marcel Reine, reuniam-se em torno de George Bernanos e demais franceses ilustres vários expoentes da intelectualidade brasileira, como Alceu de Amoroso Lima, Augusto Frederico Schmidt e Mello Franco. Itaipava, àquela época, era um conhecido reduto de famílias francesas, como os Martin, os Buissière, os Gounot.

Em 1938, Marcel Reine foi transferido para a linha Natal-Dakar, retornando depois para a Europa para atuar na Segunda Guerra Mundial, morrendo tragicamente em 1941. Antes de partir, resolveu desfazer-se de todos os seus bens, e La Grande Vallée passou às mãos da família de seu proprietário atual, José Augusto Wanderley, que conviveu toda a sua infância com relatos e documentos da passagem de Antoine de Saint Exupéry por Itaipava. Há quem garanta que o autor de um dos livros mais vendidos do mundo ainda teria passado pelo Ribeirão Grande, em 1942, um ano antes de sua morte (em combate na Segunda Guerra Mundial) para se despedir de La Grande Vallée.

Em 2000, ano do centenário do nascimento de Saint Exupéry, foi colocada uma placa comemorativa (na hoje denominada Praça Lourival Cavalcanti Wanderley) e construído um painel de azulejos para decorar uma fonte de pedras com a figura do Pequeno Príncipe, na reprodução de um desenho do livro. Abaixo da figura, foi escrita a frase “o que torna belo o deserto é que ele esconde um poço nalgum lugar”. Na placa em sua homenagem, consta: “Homenagem ao escritor e aviador no centenário de seu nascimento, marcando sua passagem pelo Vale do Ribeirão, La Grande Vallée nas décadas de 30 e 40, para orgulho das terras de Itaipava”.


Luciano do Carmo
Agradecimentos: Daura Barbosa de Resende, José Augusto Wanderley e Mirtes Moesia Rolim.