App

Baixe grátis o app na Google Play ou na Apple Store



Carlos Veiga: Arquiteto Paisagista, artista plástico, cenógrafo, figurinista e ator

Carioca do Grajaú, formou-se em arquitetura na Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1963. Em 1965, recebeu bolsa de estudos do Governo Francês e viajou para Paris, onde viveu por dois anos especializando-se em técnicas de pré fabricação. Ao voltar ao Brasil, realizou com a equipe de arquitetos da Engefusa, Vera Patury e João Honório, vários projetos de conjuntos habitacionais, que foram premiados pelo Instituto de Arquitetos RJ em 1970.

Pouco depois desse período, Carlos Veiga, em sociedade com Celia Resende e Adriano de Aquino, criou a loja Frágil, em Ipanema, que foi Ícone da Moda Tropicália, nos anos 70. Nessa ocasião retomou os seus desenhos com uma série de paisagens imaginárias e reais.

Esse olhar voltado para a natureza, aprofundou-se com uma linda série de árvores do Brasil, e desenhos com paisagens do Rio de Janeiro, que se caracterizam pela densa vegetação recobrindo a intervenção do homem. Seus trabalhos foram expostos no Jardim Botânico e em diversas Galerias do Rio e São Paulo, entre as quais Cândido Mendes, Galpão de Itaipava, Centro Cultural de Petrópolis e outras.

Ainda nessa década, participou com os amigos Iete Passarella, Marli Laje, Sergio Jamel, Alexandra e Eurico Calvente, da criação da Casa das Crianças, através da qual dez crianças foram adotadas, criadas e educadas por eles até se tornarem independentes e criarem suas próprias famílias. A partir de 1981, iniciou constante atividade como cenógrafo e figurinista, inicialmente com o grupo Hombú, com o qual recebeu nesse mesmo ano o Prêmio Mambembe para Cenários. A partir de 1997 passou a integrar a Cia Brasileira de Mystérios e Novidades, como cenógrafo, figurinista e ator, tendo seu trabalho reconhecido internacionalmente, pelo público e imprensa.

Em todas as facetas da sua criatividade, prevalece a valorização de elementos naturais, e na arquitetura e paisagismo a busca da integração com a natureza. Em 1985, mudou-se para Itaipava, e pôde melhor exercer esse desejo, dedicando-se à elaboração de projetos paisagísticos que, além das residências no Rio de Janeiro, agora também atendiam às regiões serranas de Petrópolis, Teresópolis e Friburgo, além de Angra dos Reis e Búzios.

O seu último projeto foi o Centro de Visitantes para a Symbiosis, empresa dedicada ao reflorestamento da Mata Atlântica, nos arredores de Trancoso. Esse foi o seu projeto predileto, pela importância do empreendimento, que está trazendo de volta as florestas do sul da Bahia, pelas linhas arrojadas da sua arquitetura, integrada aos jardins, e pela amizade dedicada aos clientes.

Em seus textos, Carlos Veiga questionava a destruição das paisagens naturais para transformá-las em jardins. A busca incessante da beleza era uma constante em seu trabalho, mas sempre procurando incorporar parte da vegetação original, criando áreas de equilíbrio entre as espécies nativas e as plantas estrangeiras que precisavam de mais cuidado e manutenção. Carlos era apaixonado pela vida, pelas pessoas e pela natureza.

A sua frase favorita, Para nós, como a flor, a fera e o pássaro, a grande maravilha é estar vivo.
DH Lawrence


Texto de Vera Patury